sábado, 1 de dezembro de 2012

Sobre menopausa

Melhor com o tempo

Como a menopausa se tornou — e pode deixar de ser — um problema para as mulheres


Envelhecer não é doença. Um tipo de beleza fora da realidade (e magra), imposta por todas as mídias, fez com que esse caminhar natural de nossas vidas viesse carregado de inseguranças que, essas sim, acabaram criando doenças.
Nossos hormônios têm como uma de suas finalidades a reprodução para a manutenção da espécie. A dupla mais famosa, estrógenos e progestágenos, trabalha em conjunto.

A função dos estrógenos é criar um ambiente interno para reprodução e têm como ação a feminilidade. Já os progestágenos têm como função a gravidez e são os primeiros hormônios a ter sua produção reduzida com a idade.
O ginecologista e professor da Faculdade Paulista de Medicina, dr. Eliezer Berenstein, explica que a natureza tinha um projeto bem inteligente: a mulher teria aproximadamente seis filhos até os 35 anos e depois perderia a capacidade de engravidar, deixando de produzir a progesterona, para conseguir cuidar dos filhos que já tinha. Nessa época a mulher ganharia um pouco mais de peso para continuar produzindo os estrógenos, que têm como base a gordura do corpo.

Metas contra a natureza
Hoje em dia a mulher vive mais, tem normalmente só dois filhos e começa a tê-los mais tarde do que costumava. A aversão ao ganho de uns quilinhos contribuiu para a confusão, o corpo não tem de onde tirar gordura para continuar a produção dos estrógenos. “O projeto humano passou a ser diferente do projeto da natureza”, explica o médico. “A mulher vive uma vida moderna em um corpo primitivo e não tem referencial histórico, pois tem o corpo de sua tataravó enquanto leva uma vida muito diferente do que era naquela época. Foi aí que começaram os problemas.”
Não fosse pela interrupção da menstruação, a menopausa deveria passar despercebida, não deveriam acontecer nenhum dos desconfortos hoje sintomáticos dessa época. O que essa mudança no estilo de vida gerou foi um climatério descompensado, um quadro em que, quando a progesterona pára de ser produzida, o corpo também interrompe a produção dos estrógenos. É a falta desse estrógeno que causa grande parte dos sintomas de desconfortos hoje em dia relacionados à menopausa.

Aconteceu comigo
A ex-modelo, psicóloga e aromaterapeuta Sâmia Maluf sentiu algumas mudanças físicas e emocionais e descobriu que estava entrando na perimenopausa (período que antecede a menopausa). Consultou-se com seis ginecologistas diferentes e todos indicaram reposição com hormônios sintéticos. Foi acompanhada também por um cardiologista e um endócrino para cuidar do colesterol e da glicemia, e por uma nutricionista — já que estava ganhando peso. Isso resultou em uma lista de medicamentos que incluía três remédios psiquiátricos, um para o colesterol, um para a glicemia e um controlador de apetite, além dos hormônios propriamente ditos.

Nessa época ela começou a praticar Yoga e isso aumentou a consciência dos efeitos colaterais que o tratamento — provavelmente não indicado para o seu corpo — vinha causando.
Mulher, mãe, avó e empresária, sentindo que tinha uma vida pela frente, Sâmia começou a se sentir doente. Além de não ter uma melhora significativa nos calores, sua sensibilidade emocional estava tão aflorada que passou a atrapalhar seus atendimentos como psicóloga. “Comecei a chorar durante as consultas por me emocionar com os problemas dos meus pacientes”, lembra Sâmia.

Depois de um tempo, os medicamentos passaram a causar mais desconfortos do que já tinha, como insônias, dores no corpo por causa do remédio de colesterol e uma sensibilidade emocional descompensada.
Em seu livro A inteligência hormonal da mulher, o dr. Eliezer ressalta que são tão comuns opiniões contra e também favoráveis à terapia de reposição hormonal quanto palpites a respeito de política ou futebol.
Somente 30% das mulheres deveriam fazer reposição, afirma, e mesmo para as mulheres desse grupo, ele só recomenda a reposição sintética depois de tentar três outros métodos naturais: uma dieta rica em fitohormônios (ver em Alimentação), atividades físicas orientadas para mulheres — o Yoga é ótima opção — e o uso de fitohormônios e homeopatia.

Não tente isso em casa!
Depois de 20 dias de tratamento, contra todas as indicações médicas, Sâmia jogou os remédios fora e passou a se cuidar de forma mais natural. “Como psicóloga e atuante na área da saúde, eu sabia dos riscos que corria, mas decidi assumi-los e tentar um tratamento natural.”
O abandono da medicação gerou uma crise de abstinência que durou aproximadamente dois meses, com efeitos colaterais como bruxismo, dores nas articulações e tensão. Mas Sâmia continuou experimentando um tratamento natural que incluía, além da prática de Yoga e meditação, chás e óleos (veja em Receitinhas da Sâmia).
Alternativas
Depois de um ano se tratando dessa forma, Sâmia está se sentindo ótima. Seu tratamento funcionou porque, além de uma melhora no estilo de vida, Sâmia incluiu em seu dia-a-dia os fitohormônios.
Os fitohormônios são hormônios produzidos pela natureza em plantas, que têm o mesmo objetivo que os hormônios citados acima nas mulheres (reprodução e sobrevivência). “O cheiro da dama-da-noite vem de ferormônios produzidos por estrógenos para atrair insetos e garantir a reprodução”, exemplifica o dr. Eliezer.

No Ayurveda
A medicina ayurvédica vem cuidando das mulheres na menopausa há milhares de anos. Segundo o médico ayurvédico dr. José Ruguê, a menopausa é predominantemente pitta no começo, causando calores e irritabilidade. A segunda fase é predominantemente vata e tem como efeitos a secura e a falta de lubrificação. O medo de perder a beleza física, a falta deixada pelos filhos que cresceram, a insegurança sobre um novo tipo de relacionamento com o marido agravam vata e os efeitos colaterais dessa mudança hormonal.

As recomendações, segundo essa abordagem, são coerentes com a apresentada pelo dr. Eliezer: cada mulher precisa de cuidados específicos para seu corpo.
A reposição hormonal com fitohormônios pode evitar os desconfortos causados por agravações, mas o ideal é que sejam parte de um estilo de vida antipitta na primeira fase e antivata na segunda. Essa mudança de estilo de vida inclui os hábitos alimentares, abhyanga (massagem com bastante óleo) e panchakarma.


Antivata
- alimentação quente, cozida e rica em azeite de oliva ou manteiga;
- horários definidos para rotinas como alimentação, dormir e acordar;
- atividades calmantes da mente como exercícios leves, meditação e pranayamas calmantes.
Antipitta
- alimentação refrescante, nutritiva. Evitar os picantes;
- evitar atividades — como esportes ou ambiente de trabalho — que estimulem a competitividade ou a raiva;
- pranayamas que resfriam o corpo como o shitali.

Fertilidade espiritual
No momento em que a mulher entra na menopausa, o prana passa do corpo para a mente. É uma fase que deveria ser mais voltada à espiritualidade. É importante uma conscientização do que essa nova fase da vida traz para você.
O dr. Eliezer enfatiza que há um determinismo genético e hormonal a nos direcionar. Essa expressividade hormonal, quando desconhecida ou negligenciada, pode ser uma das causas da nossa perda do controle sobre nós mesmos. Ao contrário, se conhecida, pode ser nossa aliada.
Esse autoconhecimento hormonal poderá auxiliar inclusive os médicos a decidirem, junto com a paciente, que tratamento será o ideal.


Yoga
A professora de Yoga e terapeuta ayurvédica Marcia De Luca acredita que o Yoga ajuda a reativar e reequilibrar a produção dos hormônios femininos, revitalizando ovários, tireóides, hipófise, pineal e supra-renais.
Esse equilíbrio pode diminuir os desconfortos e contribuir para uma melhoria no estado de saúde — e bem-estar decorrente. Márcia indica os seguintes asanas:
1) bilasana (postura do gato): este asana estimula o pâncreas e supra-renais que tendem a desequilibrar durante esse período. Para que não haja oscilação exagerada de peso, o pâncreas precisa funcionar perfeitamente e o equilíbrio das supra-renais evita o aumento da liberação de adrenalina e cortisol, hormônios nefastos para a saúde. Ao trabalhar a coluna vertebral, evitamos osteoporose.
2) sarvangasana (postura invertida sobre os ombros): estimula tireóides e paratireóides pela compressão do pescoço, ajudando no estímulo da produção dos hormônios.
3) halasana (postura do arado): as paratireóides são estimuladas a produzir uma substância que ajuda na assimilação do cálcio, evitando osteoporose.
4) matsyasana (postura do peixe): além de estimular tireóides e paratireóides, estimula também a glândula hipófise, que é responsável pela sincronia entre todas as glândulas do nosso organismo e a glândula pineal, que ajuda a evitar insônia, muito comum nesse período.
5) mandukasana (postura de cócoras): deve ser feita em conjunto com ashwini mudra (contrações ritmadas dos esfíncteres do ânus e da uretra). Fazer várias respirações profundas e direcionar o prana com seu poder de intenção para os ovários, estimulando a produção de estrógeno, que diminui drasticamente nesse período.
6) surya namaskar (saudação ao sol): trabalha todas as glândulas do corpo e confere saúde à coluna vertebral.


Alimentação
O dr. Daniel Magnoni, nutrólogo e cardiologista do Hospital do Coração, explica que na menopausa a mulher deve ter alguns cuidados especiais com sua alimentação, entre eles:
- especial atenção ao maior consumo de fibras, leite e derivados, bem como frutas e verduras, visando com essas últimas aumentar a ingestão de vitaminas e minerais;
- reduzir a ingestão de açúcar, doces, pães e bolos, bem como de gordura saturada e sal;
- diminuir ou mudar a ingestão de gordura saturada, trocando-a por gordura monoinsaturada, tipo azeite de oliva.
O dr. Ruguê acrescenta que a ingestão de alimentos ricos em fitohormônios não é suficiente para tratar isoladamente a reposição hormonal, mas pode ajudar no novo estilo de vida. Entre esses alimentos estão a soja (que possui isoflavona, fitohormônio reconhecido), o aspargo, o inhame e o cará.


Receitinhas da Sâmia
A aromaterapeuta e psicóloga Sâmia Maluf, que hoje se trata naturalmente para evitar os desconfortos causados pela menopausa, dá algumas dicas. É importante ressaltar que essas medidas não devem substituir tratamentos alopáticos sem o acompanhamento médico.
- Consumo diário de chá de hibisco com amora.
- Uso, tanto na pele quanto na aromatização de ambientes, de óleos essenciais de gerânio e sálvia.
- Aplicação de óleo de gérmen de trigo no corpo para fortalecimento dos vasos capilares.

Receita de pomada lubrificante vaginal natural
20 g de cera de abelha
30 ml de óleo de gérmen de trigo
10 ml de óleo de abacate
10 ml de óleo de jojoba
25 gotas de óleo essencial de gerânio
5 gotas de óleo essencial de sálvia
Derreter a cera de abelha em banho-maria, misturar os óleos vegetais e, depois de resfriar um pouco (até começar a formar uma capa por cima dos óleos), acrescentar os óleos essenciais.

Fontes:

Dr. Eliezer Berenstein
www.tpm.com.br
Dr. José Ruguê
www.suddha.net
Márcia De Luca
www.ciymam.com.br
Sâmia Maluf
www.bysamia.com.br


Texto extraido do site: http://yogajournal.terra.com.br/show_yoga.php?id=1194

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